Reflexão Cotidiana
Prof. Ribamar Tôrres
Não se tem, aqui, a preocupação acadêmica e, apenas, como diz o título acima de fazer uma reflexão de fato que se gera e se reproduz com a colaboração de nós todos.
Há um princípio democrático que diz; Ninguém está acima da Lei. Isso é Republicano, mas as castas da nossa República monárquica insistem nos privilégios de peitar a Lei, a Justiça e o respeito ao povo que a duras penas pagam impostos e não veem retorno de seu tripallium.
Até ai, tudo bem. O que não se pode é generalizar a corrupção como uma doença sem antídoto. A corrupção não é da cultura brasileira embora seja um fenômeno cultural. Não se sabe porque insistem na tese de que a corrupção é um traço da nossa cultura. Alto lá! É um pseudo argumento dizer que a corrupção é parte da nossa cultura como se isso justificasse como normal e natural este fenômeno devastador de consciências, de vidas e de recrudecimento da miséria e desigualdade no país: a corrupção.
Não é porque uma pequena elite esclarecida adotou esta prática para se manter no poder e para justificar a injustificável concentração de renda, em sua grande parte com o dinheiro público.
Não é porque a história contada é a história dos grupos no poder usurpado do povo que se possa afirmar que essa história represente a cultura geral do povo brasileiro.
Não é porque o povo vota que se possa dizer que a escolha foi do povo e transferir a culpa para cidadãos que de boa fé acreditou no valor da palavra, da honra, do compromisso, da boa fé. Não queira despistar as mazelas arquitetadas por uma pequena elite como responsabilidade do povo trabalhador e de boa índole. Claro que quando justificam que foram eleitos é preciso se perguntar: mas em que circunstâncias? Com isso se tem o grau de legitimidade do processo democrático das eleições brasileiras eivadas de corrupção e, pior, em grande parte financiada com dinheiro público desviado por uma rede de corruptos e corruptores.
Não é porque a corrupção tem atingido todos os segmentos sociais que se venha jogar no colo do governo a responsabilidade por todos os erros. Ora, se todos são iguais perante a lei, então qualquer cidadão, mesmo que governo possa responder por seus erros, mas os cidadãos que erram, nunca a instituição governo. Enquanto o poder é instituído pelo processo democrático, os cidadãos ou cidadãs que o exercem devem satisfação a Res pública.
Esse jogo de interesse e os grupos de interesse que participam deste jogo tentam se utilizar do fato da corrupção para planejarem o caos que eles também ajudaram a criar. Os cidadãos e cidadãs que tenham errado que sejam julgados com base na lei e com ampla e irrestrito direito de defesa. O que não se pode fazer é deixar que usem um fato isolado como sistêmico.
A corrupção é uma dose muito pesada de destruição da vida cidadã, mas seu antídoto é o voto.
A crise moral brasileira, geradora de todas as outras crises, é gravíssima! Os direitos civis, políticos e sociais ( os direitos-crédito) esbarram no fosso da Educação, esta sim, uma crise sistêmica, histórica e reproduzida por uma elite que se acha dona da história e construtora da cultura.
Assim, crise de educação, crise de esperança. Com certeza não é porque Deus quer! É porque nós queremos. É preciso acordar os movimentos sociais que tiveram grande importância na construção da democracia brasileira, mas que silenciaram à medida que foram se tornando tentáculos de grupos políticos, econômicos e religiosos. Cidadania urge!
Desse modo, não podemos nos comportar como aqueles que justificam o status quo como se não fizesse parte dele ou que não sejam responsáveis, também, pela sua construção.
É preciso reescrever a nossa história. A história do dia a dia. É preciso superar o status de servo, de ventrílogo, para ser sujeito. O sistema representativo que deveria representar os interesses coletivos da sociedade foi transformação num palco de disputas de interesses dos grupos que gravitam ao redor do Poder, constituindo-se não somente em um campo de privilégios como de mantenedores da desigualdade onde grandes parcelas da população sem acesso aos serviços prestados pelo Estado Nacional, fazem a procissão do populismo eleitoral.
O Voto é seu BASTA! A sociedade precisa retomar o seu poder e assumir a sua história.


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