quinta-feira, 24 de novembro de 2016

REPRESENTAÇÃO DAS RELAÇÕES PEDAGÓGICAS: contexto escolar e social. REPRESENTATION OF PEDAGOGICAL RELATIONS: school and social context.





REPRESENTAÇÃO DAS RELAÇÕES PEDAGÓGICAS: contexto escolar e social.

REPRESENTATION OF PEDAGOGICAL RELATIONS: school and social context.

José Ribamar Tôrres Rodrigues
Doutor em Educação pela USP
Mestre em Educação pela PUC/SP
Estágio em Formação de Professores no IUFM de DOUAI/ França
Estágio em formação de Professores em CUBA
Ex-Membro do Conselho Estadual de Educação/PI
Ex-Coordenador do Fórum Estadual de Educação
Membro do Banco de Avaliadores do MEC/INEP.

José Ribamar Tôrres Rodrigues
PhD in Education from USP
Master in Education from PUC / SP
Internship in Teacher Training in the IUFM of DOUAI / France
Stage for Teacher training in Cuba
Former member of the State Board of Education / PI
Former Coordinator of the State Education Forum
Member of Appraisers Bank MEC / INEP.
E-Mail: jrib.torres@gmail com
Tel (86) 99415-9958



 Trata-se de uma análise sobre as relações entre o processo pedagógico e o contexto sócio cultural e legal da sociedade.  A ilustração a seguir é uma tentativa de mostrar as dimensões horizontais  e vertical em  que se dão os processos interativos e representativos da prática pedagógica docente  e do contexto mais amplo da construção de saberes. A cor amarela e vermelha representa, respectivamente,  espaços genérico e particular das relações sociais do processo  de ensino e aprendizagem.


It is an analysis of the relationship between the pedagogical process and the socio-cultural
 and legal context of society. The following illustration is an attempt to show the horizontal
 and vertical dimensions of the interactive and representative processes of teaching 
pedagogical practice and the broader context of knowledge construction. The yellow 
and red colors represent, respectively, generic and particular spaces of the social 
relations of the process of teaching and learning.

Ceci est une analyse de la relation entre le processus éducatif et le membre du contexte 
culturel et juridique de la société. L'illustration suivante est une tentative de montrer les 
dimensions horizontales et verticales qui donnent des processus interactifs et représentatifs
 de l'enseignement pratique pédagogique et le contexte plus large du développement des
 connaissances. Les couleurs jaunes et rouges représentent, respectivement, des espaces 
génériques et rapports sociaux particuliers de l'enseignement et le processus 
d'apprentissage.


Este es un análisis de la relación entre el proceso educativo y el elemento de contexto 
cultural y legal de la empresa. La siguiente ilustración es un intento de mostrar las 
dimensiones horizontales y verticales que dan procesos interactivos y representativas
 de la enseñanza de la práctica pedagógica y el contexto más amplio de la construcción 
del conocimiento. Los colores amarillos y rojos representan, respectivamente, los espacios
 genéricos y relaciones sociales particulares de enseñanza y aprendizaje.

Questa è un'analisi della relazione tra il processo educativo e l'organo contesto culturale 
e giuridico della società. La figura che segue è un tentativo di mostrare le dimensioni 
orizzontali e verticali che danno processi interattivi e rappresentativi di insegnamento 
pratica pedagogica e più ampio contesto della costruzione di conoscenza. I colori giallo 
e rosso rappresentano rispettivamente gli spazi generici e particolari rapporti sociali 
di insegnamento e di apprendimento.

Dies ist eine Analyse der Beziehung zwischen den Bildungsprozess und die kulturellen 
und rechtlichen Kontext Mitglied des Unternehmens. Die folgende Abbildung ist ein Versuch, 
die horizontalen und vertikalen Dimensionen zu zeigen, dass geben interaktive und 
repräsentative Prozesse der pädagogischen Praxis zu unterrichten und den breiteren 
Kontext des Wissens aufzubauen. Die gelben und roten Farben repräsentieren jeweils
 allgemeine Räume und insbesondere die sozialen Beziehungen von Lehr- und Lernprozess.

Это анализ взаимосвязи между учебным процессом и культурно-правового контекста члена общества. На приведенном ниже рисунке это попытка показать горизонтальные и вертикальные размеры, которые дают интерактивные и представительные процессы преподавания педагогической практики и более широкий контекст построения знания. Желтый и красный цвета представляют собой, соответственно, общие пространства и конкретные социальные отношения учебного процесса.
Eto analiz vzaimosvyazi mezhdu uchebnym protsessom i kul'turno-pravovogo konteksta chlena obshchestva. Na privedennom nizhe risunke eto popytka pokazat' gorizontal'nyye i vertikal'nyye razmery, kotoryye dayut interaktivnyye i predstavitel'nyye protsessy prepodavaniya pedagogicheskoy praktiki i boleye shirokiy kontekst postroyeniya znaniya. Zheltyy i krasnyy tsveta predstavlyayut soboy, sootvetstvenno, obshchiye prostranstva i konkretnyye sotsial'nyye otnosheniya uchebnogo protsessa.


  Fonte: Construído por este autor. Tese Doutorado, p.203
Source: Built by this author. Doctoral Thesis, p.203

RODRIGUES, José Ribamar Tôrres. A Prática Docente e a Construção de Saberes Pedagógicos. São Paulo: Universidade de Ssão Paulo-USP, 2001.

RODRIGUES, José Ribamar Tôrres. The Teaching Practice and the Construction of Pedagogical Knowledge. São Paulo: University of São Paulo-USP, 2001.


Há múltiplas relações entre o processo pedagógico e o processo social. O Gráfico acima representa este processo. São duas pirâmides investidas. Uma com o vértice para cima e outra como vértice para baixo. A Pirâmide como vértice para baixo contem na sua base superior o contexto sócio-histórico, o espaço social e cultural regido por concepções. Regras e valores e o seu vértice para baixo para mostrar como esta superestrutura determina o contexto das relações escola-comunidade, professor-aluno, espaço pedagógico e institucional.
De outro lado, a pirâmide com o vértice para cima tem em sua base o contexto institucional e pedagógico escolar com múltiplas relações culturais cujos significados gerados pelas estruturas de interação e de representação tendem a determinar o contexto sócio-histórico com reflexos na cultura, no desenvolvimento social com alterações de concepções, regras e valores. A proporção que uma vai penetrando na outra vai mudando da cor amarela para a cor vermelha para significar a luta de um espaço contra o outro em um jogo de correlação de forças onde ambas resistem as potenciais mudanças.
Os saberes pedagógicos são incorporados à atividade individual e coletiva em forma de habitus pedagógico e habilidades, concretizados no modo de fazer e de ser. Consideram-se crenças, habitus e costumes como níveis de saberes, vinculados a determinados níveis da cultura profissional, escolar e social. Ao mesmo tempo em que o professor constrói certezas a partir de conclusões próprias, baseados em resultados do processo prático do ensaio-erro, constrói, também, ideias sobre os demais saberes que são por ele reinterpretados e retraduzidos.

A preocupação expressa por Tardif, Lessard e Lahaye (1996) quanto à distância entre produtores e formadores de saberes na divisão do trabalho intelectual procede enquanto o professor é concebido como mecanismo de execução. No entanto, é preciso superar a linearidade desta relação.  Se se concebe o professor como parte da dinâmica de estruturas interativas e de estruturas de representação, sua posição nestas redes de saberes não são permanentemente as mesmas. Na dinâmica dessa cadeia de relações, ele é, também, produtor de saberes.  Apenas que estes saberes, por não serem legitimados por grupos produtores socialmente aceitos, não adquirem poder hegemônico no campo de saberes dominantes.  No caso do professor leigo, estes saberes são legitimados no campo da prática, por certezas individuais ou coletivas.    

Esta desigualdade na relação interativa é antidemocrática porque só a parte hegemônica legitimada, no caso, (os grupos produtores de saberes socialmente legitimados em relação ao professor e este em relação ao aluno) tem a senha de controle dessa hegemonia, isto é, o monopólio dos códigos (saberes) necessários à conservação ou ortodoxia, no sentido utilizado por Bourdieu, qual seja: estratégias de luta dos que detêm o capital específico para manter o poder ou autoridade específica de um campo contra as estratégias de subversão ou heterodoxia dos que, recém-chegados, possuem menos capital específico.

Estas certezas construídas pelo professor leigo como resultado da experimentação no processo ensaio-erro constitui o que Gauthier, (1997), chama de jurisprudência privada. Este conceito surge quando ele estabelece um paralelo entre a ciência do direito e ciência pedagógica. A primeira tem por base o costume, a jurisprudência e a lei. A segunda, a pedagogia tradicional, a jurisprudência privada é os (saberes da experiência) e os saberes da ação pedagógica (leis do ensino).

Segundo este mesmo autor, o saber se define por três concepções: a representação, o julgamento e a argumentação. Na representação, Gauthier (1997) com base em Descartes afirma que o saber é “um tipo particular  de certeza subjetiva produzida pelo pensamento racional”(244). Esta concepção se opõe a outros tipos de certezas subjetivas como aquelas baseadas na fé, na crença, na convicção e no pré-julgamento. A subjetividade como origem do saber, segundo ele, pode assumir duas formas: a forma de uma intuição intelectual e a forma de uma representação intelectual fruto do raciocínio. No julgamento, considera-se o saber como um julgamento verdadeiro, consequência de uma atividade intelectual. O saber vincula-se unicamente aos julgamentos de fato e excluem-se julgamentos de valor. Na argumentação, o saber é a atividade discursiva que consiste em tentar validá-lo com a ajuda de argumentos e operações discursivas (lógicas, retóricas, dialéticas e empíricas).

   A construção do saber pedagógico na prática de sala de aula do professor limita-se em duas dimensões: a horizontal (saberes curriculares, da experiência, interações e representações) e vertical (espaço social e espaço institucional). 7

Todo saber pedagógico resulta de processos interativos e de representação, forjados nas relações da prática docente. A produção deste saber ocorre em uma dinâmica contínua de aprender a desaprender, isto é, de negação do que se sabe para construir um novo saber. Desorganizar uma estrutura para construir outra. O ato de negar supõe uma ação crítico-reflexiva que leva o sujeito a tomar consciência de haver descoberto determinados saberes.

 A ilustração a seguir é uma tentativa de mostrar as dimensões horizontal e vertical em que se dão os processos interativos e representativos da prática pedagógica docente e do contexto mais amplo da construção de saberes. A cor amarela e vermelha representam, respectivamente, espaços genérico e particular das relações sociais do processo de ensino e aprendizagem.

Rockwell,(1986), afirma que

"...a interação entre mestre e alunos tendem a marcar limites entre o conhecimento que se maneja na escola e  o conhecimento quotidiano que possuem os alunos (...) não aparece como importante validar o conhecimento que os alunos têm de seu meio, confrontá-lo com observações novas, elaborá-lo, buscar suas implicações (...) não se reconhece a existência de um conhecimento prévio por parte dos alunos" (p. 20). 

A rede de relações que ocorre em sala de aula entre professor e alunos e alunos entre si não pode ser concebida numa visão linear, cartesiana, na qual o professor transmite o saber e o aluno o absorve. O saber e os saberes pedagógicos, resultantes dos campos de interação e de representação do processo de ensino e aprendizagem, não surgem como produtos de interações individuais de professor e professor, professor e aluno ou de aluno e aluno, mas de relações coletivas, entre eles, como grupos em determinada situação social.

Rockwell(1986), referindo-se à prática pedagógica cotidiana diz que  professores e alunos constroem conhecimentos a partir de estruturas e concepções criadas por eles mesmos no processo de apropriação e organização dos saberes circulantes na escola.

Se se aceita o princípio de que o saber do professor é plural não se pode conceber que a interação no processo de ensino e aprendizagem seja singular, linear. Ao contrário, ela é plural, se dá em rede e por isso torna-se possível falar em estruturas de interação e estruturas de representação da prática pedagógica. Nestas estruturas, saberes e significados concorrentes se cruzam na luta pela aceitação e pela legitimação. Tais estruturas incorporam características geradas não pelas relações de interação e de representação em si ou pelos significados delas decorrentes, mas da história das mesmas cujo processo de "interioridade" e "exterioridade" englobam aspectos objetivos e subjetivos de motivações, persuasão, adesão, consenso, conflito, interesses genéricos e particulares, saberes, valores e habitus do quotidiano da atividade educativa.

As estruturas de interação e representação constituem-se de elementos representados pela hierarquia, (seqüência lógica de práticas a partir das normas e objetivos institucionais, da historia local, de linguagens verbais e não-verbais, das posições determinadas dos sujeitos no processo de relações e dos saberes e valores que se introduzem nestas relações), heterogeneidade (multiplicidade de saberes e valores, exteriorizados pelos sujeitos nestas relações, formal e não-formal), exterioridade (expressão dos saberes apropriados pelos sujeitos em sua trajetória familiar, estudantil e profissional) e a significação (concepções e habitus legitimados e aceitos pelo ciclo de práticas de uma época).

Tais elementos são os princípios que dirigem e orientam as ações presentes e futuras dos docentes. Nesse sentido, as estruturas de interação e de representação se estabelecem na dinâmica da relação vertical entre contexto sócio-histórico e contexto institucional e da relação horizontal professor e aluno e o produto destas relações é um processo contínuo de produção de saberes híbridos no sentido tanto da pluralização de tipos quanto de diferentes sentidos, superando os tradicionais significados e construindo uma nova identidade cultural.

Os espaços de interações e representações e de relações de poder requerem vários campos de saberes. Entende-se que no espaço da sala de aula, como espaço de relação de força, ocorrem mais que simples interações que mobilizam diversos tipos de saberes.  Dessas estruturas interativas decorrem as estruturas de representação cujos resultados (significados e valores) formam habitus pedagógicos que orientam as práticas atuais e futuras de professor e alunos.

Na perspectiva de superação do caráter reprodutivo das práticas pedagógicas, Rockwell, (1986), diz que o ambiente escolar recebe influências do contexto social, gerando práticas de resistência à norma oficial e manifestando nessas práticas escolares as lutas sociais que ocorrem fora dela.
A escola representa para a criança o primeiro contato com os códigos sociais padrão. Os elementos de leitura, escrita e cálculo são símbolos vagos ou estranhos para ela. Suas noções de espaço, tempo, tamanho, quantidade e de significados culturais são absorvidos por critérios informais. A exemplo disso, as noções de medidas embora diversificadas conforme a região, na zona rural da pesquisa são utilizadas as medidas braça (ou 2m2) em lugar do metro; a linha (ou 800m2); o litro, Quarta, carga, (ou dois jacás que equivalem de 65 a 75 quilos); prato (ou dois litros) em lugar do quilograma, ou seja, a ideia de quantidade e distância são representadas por imagens e não por sinais gráficos, letras ou números. Isso significa que sua representação de mundo é pictórica, através de ideias do imaginário cultural.

A substituição desses conceitos informais pelos conceitos científicos adotados pelos currículos das sociedades letradas, através da escola, sem qualquer relação com a realidade das crianças representa não só uma violência cultural, mas também psicológica. Isto pode explicar, em grande parte, as dificuldades de aprendizagem das crianças rurais, quase sempre atribuídas, de modo equivocado, ao seu desenvolvimento bio-psicológico e às suas condições socioeconômicas (pobreza) como fator determinante de uma inteligência inferior.


Dentre os saberes pedagógicos que o professor mobiliza em sala de aula, destacam-se os saberes de gestão da classe (saberes do quotidiano do trabalho docente), os saberes de gestão do saber (saberes científicos e da experiência) e os saberes do saber-ser (saberes subjetivos que presidem as interações e os significados deles decorrentes).

Quanto aos saberes de gestão da classe, registram-se os saberes espacial, temporal, relacional, comunicativo, normativo-disciplinar e tácito. O saber espacial orienta professor e alunos quanto aos espaços físicos, afetivos e cognitivos) a que podem ocupar ou não e as condutas que eles devem representar. Este tipo de saber reflete um saber subjacente que é o de legitimar e conservar posições desiguais, através da aceitação ao assumirem posições pré–determinadas pela ordem hierárquica. Então, como professor e alunos aprendem a ocupar os espaços escolares? Observou-se que há regras tácitas gerais e específicas conforme a composição humana e social da sala de aula. Em qualquer situação, os menores sentam à frente e os maiores atrás. Nas classes multisseriadas, o professor orienta os espaços de cada série e nestes, as crianças se organizam, independente de tamanho, por regras específicas contidas nas relações informais fora da escola. Elas se agrupam por ordem de prioridade, levando em conta o parentesco, a amizade, o sexo.

O saber relacional determina os tipos de vínculos (afetivos, familiares, profissionais, hierárquicos, conflituosos) que professor e alunos podem estabelecer nos diversos espaços e momentos do processo de interação e representação da atividade educativa. Nesta ótica, registrou-se um fato de vínculo afetivo-emocional entre um aluno adolescente e a professora. O aluno apresentava mudança de conduta nas aulas através de silêncio, não execução das tarefas, isolamento. Ao conversar com o aluno, a professora obteve dele a confissão de que estaria gostando dela. Diante do fato, a professora ficou assustada sem saber como lidar com tal situação e resolveu conversar diariamente com o aluno, tentando explicá-lo que aquilo era natural da idade. Embora não tendo experiência em lidar com esta situação, ela conseguiu fazer o aluno entender. Segundo a mesma professora, ela agiu com base em situações semelhantes vividas por ela quando estudante.

O saber comunicativo estabelece os limites e os tipos de linguagens e significados que devem ser utilizados nos vários espaços, momentos e relações interativas do processo educativo. (sabem quando, onde, com quem e de que modo e sobre quais assuntos devem-se calar ou expressar-se, através do fato linguístico, gestual, do vestuário, códigos tácitos e dispositivos psicológicos).

Os saberes tácitos articulam os elos da rede de relações e representações de professor e alunos através da cumplicidade, solidariedade, aceitação, humanizando a impessoalidade das relações formais, construindo um espaço, saberes e significados paralelos que os caracterizam como grupo.
A sala de aula representa mais que um lugar para estudar. É um momento de encontro que rompe o isolamento do trabalho. Neste sentido, as pautas de interesses do cotidiano dos alunos entram em concorrência com as pautas interesses do professor através das pautas curriculares oficiais.
Os saberes pedagógicos assumem, assim, uma característica estratégica sobre a qual se sustenta a prática docente em sala de aula. São estratégicos enquanto justificam práticas pedagógicas como aquela em que o aluno assume funções docentes, significando que o aluno não é só aprendiz com ralação aos conteúdos curriculares, mas também com relação à iniciação ao ofício docente; enquanto servem de instrumental para garantirem ao professor um espaço profissional e manter seu status frente a alunos e comunidade são também estratégicos porque legitimam o espaço do professor e lhe transfere conteúdos e valores que permitem a construção de “esquemas de ação” e de significados que vão orientar e legitimar suas práticas, profissionais e sociais.

Referências

BOURDIEU, Pierre.   Campo do poder, Campo intelectual e habitus de classe. In Economia das trocas simbólicas. Rio de Janeiro: Perspectiva,        361p.,1992, p.201-2.

BOURDIEU, Pierre.  Razões práticas sobre a teoria da ação. Trad. Mariza Corrêa, Campinas: Papirus, 1996.
__________, Pierre.  O poder simbólico. Trad. Fernando Tomaz. Lisboa: Difel, 314 p. 1989.

__________, Pierre.  Questões de sociologia. Trad. Jeni Vaitsman. Rio de Janeiro: 208 p., Editora Marco Zero Limitada, 1983.

__________, Pierre. Sociologia. Org. Renato Ortiz. Coord. Florestan Fernandes. São Paulo: Ática, 1983.

__________, Pierre.  Coisas ditas. Trad. Cássia R. da Silveira e Denise Moreno Pegorim, São Paulo: Brasiliense, 234 p. 1990.

__________, Pierre.  Algumas Propriedades do Campo. In Questões de sociologia. Rio de Janeiro: Marco Zero Limitada, 1983, P.P.89-94.

__________, Pierre.  A Gênese dos conceitos de habitus e de campo. In O poder simbólico. Trad. Fernando Tomaza. Lisboa, Difel, 1989. P.P. 59-73.Jan/Mar- 1970.

ROCKWELL, Elsie. Reflexiones sobre el processo etnográfico. Departamento de Investigaciones Educativas, Mexico, 57p.,1987.

___________, Elsie.  El contenido formativo da la experiencia escolar. In La escuela: lugar del trabajo docente. Mexico. Departamento de Investigaciones Educativas, Centro de Investigación e de Estudios del Avanzados del IPN, 79p.,1986. Pp. 10-33.
__________, Elsie.   El trabajo cotidiano del maestro en la escuela primaria. In La escuela: lugar del trabajo docente. Mexico, Departamento de Investigaciones Educativas. Centro de Investigación y de Estudios Avanzados del IPN, 79p.,1986. pp. 55-75.

RODRIGUES, José Ribamar Tôrres. A Prática Docente e a Construção de  Saberes Pedagógicos. São Paulo: Universidade de São Paulo-USP, 2001.



quarta-feira, 2 de novembro de 2016


O DISCURSO DA PERFEIÇÃO NA FILOSOFIA MAÇÔNICA

SPEECH OF PERFECTION IN PHILOSOPHY MASONIC

José Ribamar Tôrres Rodrigues
Doutor em Educação pela USP
Mestre em Educação pela PUC/SP
Estágio em Formação de Professores no IUFM de DOUAI/ França
Estágio em formação de Professores em CUBA
Ex-Membro do Conselho Estadual de Educação/PI
Coordenador do Fórum Estadual de Educação
Membro do Banco de Avaliadores do MEC/INEP.
mestre maçom. G 22 da Aug. Loj. Simbolica União Dr. Jacob Gayoso, 1367 - Or...de Teresina - Piauí - Brasil

José Ribamar Tôrres Rodrigues
PhD in Education from USP
Master in Education from PUC / SP
Internship in Teacher Training in the IUFM of DOUAI / France
Stage for Teacher training in Cuba
Former member of the State Board of Education / PI
Coordinator of the State Education Forum
Member of Appraisers Bank MEC / INEP.
Master Mason. 22 L of Aug. Loj. Symbolic Dr. Jacob Union Gayoso, 1367 - Or ... Teresina - Piaui - Brazil
E-Mail: jrib.torres@gmail com
Tel (86) 99415-9958

O propósito deste trabalho é construir uma reflexão sobre o discurso da busca da perfeição na filosofia maçônica quanto ao desenvolvimento da natureza humana, material, espiritual e moral no aperfeiçoamento do homem-maçom. A análise do tema revela que o aperfeiçoamento interior (intelectual e moral) e exterior (o conjunto das relações sociais) dão-se por um trabalho verdadeiramente artesanal, da pedra bruta para a  ponto de partida para que o homem-maçom colabore para o bem-estar da humanidade.

The purpose of this work is to build a reflection on the pursuit of perfection speech in Masonic 
philosophy for the development of human nature, material, spiritual and moral improvement in
 the man-Freemason. The theme of the analysis shows that the inner development (intellectual 
and moral) and outside (the set of social relations) are given for a truly artisan work, the rough 
stone to the starting point for man-Freemason collaborate for the good -being of humanity.

Le but de ce travail est de construire une réflexion sur la poursuite de la parole de la perfection 
dans la philosophie maçonnique pour le développement de la nature humaine, matérielle, spirituelle
 et l'amélioration morale de l'homme-Freemason. Le thème de l'analyse montre que le développement
 interne (intellectuel et moral) et à l'extérieur (l'ensemble des relations sociales) sont données pour un
 travail vraiment artisan, la pierre brute au point de départ pour l'homme-Freemason collaborer pour le
 bien -être de l'humanité.

El propósito de este trabajo es la construcción de una reflexión sobre la búsqueda de la perfección 
en la filosofía del discurso masónico para el desarrollo de la naturaleza humana, materiales, espirituales
 y la mejora moral en el hombre-masón. El tema del análisis muestra que el desarrollo interno
 (intelectual y moral) y el exterior (el conjunto de las relaciones sociales) se dan para un trabajo 
verdaderamente artesanal, la piedra en bruto al punto de partida para el hombre-masón colaborar
 para el bien -siendo de la humanidad.

Lo scopo di questo lavoro è quello di costruire una riflessione sulla ricerca della perfezione 
discorso nella filosofia massonica per lo sviluppo della natura umana, materiale, spirituale e 
il miglioramento morale l'uomo-massone. Il tema della analisi mostra che lo sviluppo interno 
(intellettuale e morale) e all'esterno (l'insieme delle relazioni sociali) sono date per un lavoro 
veramente artigianale, la pietra grezza al punto di partenza per l'uomo-massone collaborare per il bene -Essere dell'umanità.

Das Ziel dieser Arbeit ist eine Reflexion über das Streben nach Perfektion Rede in freimaurerische 
Philosophie für die Entwicklung der menschlichen Natur, materiellen, geistigen und moralischen
 Verbesserung der Mensch-Freimaurer zu bauen. Das Thema der Analyse zeigt, dass die innere
 Entwicklung (intellektuellen und moralischen) und außerhalb (der Satz von sozialen Beziehungen)
 für eine wirklich handwerkliche Arbeit gegeben, die raue Stein zum Ausgangspunkt für die
 Mensch-Maurer zusammenarbeiten für die gute -Being der Menschheit.

Целью данной работы является построение на отражение стремление к совершенству речи в
 масонской философии для развития человеческой природы, материального, духовного и 
нравственного совершенствования человека-масон. Тема анализа показывает, что внутреннее 
развитие (интеллектуальное и нравственное) и за ее пределами (совокупность общественных 
отношений) приведены для действительно ремесленника работы, грубый камень к исходной 
точке для человека-масон сотрудничать на благо -Быть человечества.
Tsel'yu dannoy raboty yavlyayetsya postroyeniye na otrazheniye stremleniye k sovershenstvu rechi v
 masonskoy filosofii dlya razvitiya chelovecheskoy prirody, material'nogo, dukhovnogo i
 nravstvennogo sovershenstvovaniya cheloveka-mason. Tema analiza pokazyvayet, chto
 vnutrenneye razvitiye (intellektual'noye i nravstvennoye) i za yeye predelami (sovokupnost'
 obshchestvennykh otnosheniy) privedeny dlya deystvitel'no remeslennika raboty, grubyy kamen'
 k iskhodnoy tochke dlya cheloveka-mason sotrudnichat' na blago -Byt' chelovechestva.


            A busca da perfeição pelo maçom estabelece a correlação entre trabalho e vida, experiência e reflexão, criação e recriação, força de vontade e virtude. Trabalho e vida não devem ser concebidos numa visão unidimensional, ou seja, centrados na relação causa-efeito. Esta dicotomia reflete o homem fragmentado e incoerente no contexto das relações sociais. Trabalho e vida, frutos do desenvolvimento intelectual constitui um processo de experiências individuais e coletivas.

            O sentido artesanal do aperfeiçoamento humano reside no fato crescente de consciência de si mesmo e dos outros. Nesse caso, o homem-maçom deve não apenas conhecer, mas acima de tudo sentir e descobrir o porquê e o como, visando o progresso da humanidade.

            Por outro lado, o homem em busca da perfeição pode ser atraído por caminhos construídos pelo contra-conhecimento, ou seja, pelo conhecimento que visa fins imediatistas e descomprometidos com o bem coletivo. Tal conhecimento serve, apenas, para gerar valores negativos e efêmeros, como por exemplo: o status individual.
            O discurso da perfeição exige do maçom o esforço do autoconhecimento e a consciência de seus próprios limites.  Desse modo, o homem-maçom ergue o templo ideal, construindo a si e a própria sociedade. Nos grau simbólico, a filosofia maçônica ensina desbastar a pedra bruta das nossas paixões, egoísmos e vícios e buscar pelo trabalho a prática do sentido da letra G.

            A concepção de perfeição maçônica se dá pela fraternidade, pela razão, pela justiça e pela equidade e assim, o homem-maçom vai galgando a escada de Jacó para poder anunciar o triunfo da vida sobre a morte onde o bom e o justo são eternos se trabalhados nos cinco pontos de perfeição e, ainda, na horizontal em relação a seus semelhantes e na vertical em relação ao GR...   ARQ...  Do Univ...

            O sentido da ascensão espiritual se fundamenta no bom-senso e na lógica da busca do bem, do belo e do verdadeiro. Nesse sentido, Francis Bacon diz:

Nem a mão nua nem o intelecto podem muito ser deixado a si mesmos. Todos os feitos se cumprem com instrumentos e recursos auxiliares dos quais dependem, em igual medida, tanto o intelecto como as mãos. Assim, como os instrumentos mecânicos regulam e ampliam o movimento das mãos, os da mente aguçam o intelecto e o precavem.

            O sentido artesanal da construção do homem-maçom estabelece diferentes abordagens científicas, inseridas no contexto da filosofia maçônica.

1.1-A Natureza humana, A Matéria e a Lei Moral
            A natureza humana constitui o fundamento da matéria e do espírito. Ela se manifesta de forma física ou espiritual. Ela compõe a essência do real e do invisível que ordena e recria o universo e é parte da mente criadora.

            A palavra Natureza incorpora diversos significados. Já entre os gregos, a palavra PHYSIS tina o sentido de produzir, crescer. Nos seus diversos sentidos a palavra natureza contém a ideia de existência que se produz e se determina a si mesma. Em geral, natureza significa o conjunto da criação, a força, a energia inata a cada ser para desenvolver-se, aperfeiçoar-se e conservar-se.

            O estudo da natureza e da natureza humana tem sido a base principal da doutrina maçônica. Nos templos, a natureza é representada pelo delta luminoso, colocado no Oriente e cada lado dele representa as três fases de tudo que existe: o nascimento, a vida e a morte.
            Segundo Nicola Aslan, os Templos têm a forma de um cubo, representando o número 4, também considerado o símbolo da natureza. Assim, temos a natureza material e a natureza moral.

            A matéria é a essência de que alguma coisa é feita e esse também era o sentido que os gregos davam através do termo HYLÊ. Para Aristóteles, a matéria é o princípio passivo; é o ser em potência. Nesse sentido, o conhecimento humano tem elaborado diversas tendências teóricas para explicar a matéria e suas influências no destino da humanidade. Alguma destas tendências a coloca como determinante de tudo, como é o caso do materialismo histórico (Karl Marx), segundo o qual “o modo de produção material, condiciona o modo de vida social, política e espiritual”.  No entanto, o equívoco destas tendências é, em geral, evidenciar as forças materiais na vida humana e relegar a segundo plano as forças espirituais.

            A natureza moral ou ética é a parte superior do homem, composta pelos mecanismos racionais e sensitivos. Para Aslan só a razão é capaz de valorização moral, princípio também defendido por Kant que se apoia em Aristóteles. Para Platão o homem é comparado a um governo que possui muitas partes com tarefas especiais, tendo a virtude moral à função de coordenar essas partes, promover a harmonia entre elas e de assegurar o bem-estar pelo do espírito.

Rousseau refere-se à dimensão moral enquanto dimensão social. No entanto este aspecto moral assume diversas direções em diferentes culturas e isto implica em diferentes práticas sociais e profissionais em relação às crenças de cada identidade social. Aqui se poderia estabelecer várias relações entre a moral proposta por Rousseau, vincula da a um “contrato social”, ou seja, à vontade coletiva, a moral cristã de certo modo idealista uma vez que desconhece os interesses do indivíduo em função de uma relação harmônica absoluta de uma sociedade de irmãos ou a moral decorrente da relação homem-sociedade implícita em Michel Foucault onde se diz que ao punir o indivíduo, não se quer regenerá-lo, mas recompor a moral coletiva ferida pelo crime do indivíduo. Isto implica nos critérios de prática profissional em relação aos princípios éticos, inseridos na crença do contexto, principalmente institucional. Assim, o aspecto moral baliza as atitudes das relações professor-aluno. Aqui se percebe o sentido revolucionário de Rousseau quando defende o rompimento do “círculo vicioso” entre homens e instituição. Também este círculo vicioso implica na relação docente-escola onde a acomodação e o servilismo contribuem para o processo mecânico da rotina burocrática de manutenção de poder. O processo político proposto por Rousseau pode ser colocado como mediador deste processo onde a formação crítica do indivíduo rompe com o estabelecido para uma atitude crítico-reflexiva do processo educativo.

            Desse modo, o homem é impedido em suas ações por Leis Divinas, Leis da Natureza e Leis dos Homens. Para Nicola Aslan, tudo que expressa a necessidade de uma ação é lei. As leis do espírito são dadas pela natureza, fundamentada na razão. A lei moral ou ética é a que nos impele o dever-ser. Ela tem de ser cumprida para o bem coletivo. Daí decorrem as leis maçônicas, sejam universais, rituais, particulares ou consuetudinárias às quais se submetem a administração das oficinas, da própria Ordem e todos os maçons na orientação de sua conduta individual, baseada na consciência e na razão; de sua conduta social, voltada para o bem coletivo e de sua relação com o SER SUPERIOR, referente ao cumprimento de uma vontade universal que dirige nossos atos.

            A conduta moral fundamenta a base histórica e legal da maçonaria como seu principal objetivo. Nesse sentido, a moral maçônica, na prática, nos ensina a fazer tudo que possa trazer a felicidade à humanidade, através do amor à verdade, respeito à razão, ao livre arbítrio, seriedade científica e soberania de consciência.

            A natureza moral fundamenta-se na virtude, através do sistema de valores e de dever, incorporado nas relações sociais.

            Os filósofos antigos já discutiam a importância da virtude para o homem e para a sociedade.. Para Platão, a virtude constitui uma disposição que impele o homem a agir conforme sua natureza e a ordem universal. Para ele, saber dominar os prazeres é alcançar a felicidade a que ele cama de “virtude perfeita”. Para Santo Agostino, a virtude é a perfeição da vida racional e o caminho da felicidade. Segundo Aristóteles, a virtude não é um saber, nem um dom natural. A natureza nos dá a disposição que de acordo com sua utilização pode servir para o bem ou para o mal. A virtude seria, então, um hábito adquirido na luta contra os erros.
            Os rituais, nos seus vários graus, nos exortam com ensinamentos de natureza moral que devem prevalecer em nossos atos, na árdua luta para polir a pedra bruta. O aspecto material é representado pelo trabalho, fruto de toda a prosperidade; o aspecto social, pelo combate intransigente da ignorância; o aspecto espiritual representado pela prevalência do espírito sobre a matéria, através da luta pela perfeição e pela prática da virtude.

            Assim, a natureza e a natureza humana constitui esta força que brota na matéria e no espírito e o fortalece contra a escravidão, rompendo o erro que aprisiona nossa vontade e nossa liberdade. Ambas, natureza material e moral embora contraditórias são imprescindíveis na superação do espírito sobre a morte.

1.2-A Perfeição do Homem-maçom e da Sociedade

                        As verdadeiras bases do edifício social fundam-se no homem em suas dimensões: material, social e espiritual. Enquanto ser material, o homem-maçom liga-se a sociedade pelo trabalho e intransigente no comprimento do dever. Nesse sentido, o simbolismo da pedra bruta representa o homem-maçom em estado natural, imperfeito cuja natureza humana ainda não foi trabalhada e que precisa ser lapidada pelo trabalho, pelo estudo e pelo autoconhecimento em busca da perfeição intelectual e espiritual.

            Enquanto ser social, o homem-maçom interage com a sociedade pala ação do combate à ignorância, à hipocrisia, à ambição e ao indiferente sem preocupações individuais, na busca constante da verdade e da ciência, equilibrada pela prudência e pela tolerância.

            Enquanto ser espiritual, o homem-maçom busca a perfeição pela prática da virtude no esforço constante na prevalência do espírito sobre a matéria.
            Enquanto ser material, o homem-maçom produz a força que sustenta, a beleza que adorna e a sabedoria que inventa.
            Essas dimensões representam a libertação da sociedade e um ideal comum na luta contra os obstáculos do progresso. Para libertar a sociedade, o homem-maçom precisa libertar-se e isso não poderá fazer sozinho, mas juntamente com os irmãos para receber o louro da vitória e a oliveira da paz e da esperança em busca da grande luz: o Grande Arquiteto do Universo.

1.3-A Busca da Perfeição e a Busca de si Mesmo

            A busca de si mesmo constitui uma discussão de filósofos antigos quando os Romanos já diziam “nosce te ipsum”, ou seja, “conhece a ti mesmo” numa clara alusão ao sentido de que a perfeição é um caminho de fora para dentro e de dentro para fora, uma vez que ninguém se conhece sem a referência do outro. Conhecer a si mesmo é conhecer o outro (sociedade) generalizado em nós como afirma a corrente de pensamento camada Interacionismo Simbólico.

            A perfeição é a busca incessante do caminho da luz, representada na maçonaria pelo compasso, pelo círculo e pela coluna compósita[1].  Além disso, os mestres conhecem os cinco pontos de perfeição da maçonaria e pelos quais se dá a palavra sagrada. Para os egípcios, o círculo também representa o ideal de perfeição, a criação do universo e a perpetuidade.

            As colunas representam a vida e a morte, o fogo e o vento e especificamente para a maçonaria representam os dois sexos cujo sentido foi herdado dos hermetistas. A coluna J (enxofre) representa o ardor masculino que estabelece, funda e cria e a coluna B (mercúrio) representa a conduta feminina que conserva e sustenta.

            A busca de si mesmo é à busca do G...ARQ...Do UNIV...que é a perfeição absoluta. A mensagem eterna de “conhece-te a ti mesmo” traduz a busca de si com o conhecimento de que o homem precisa não só para conhecer os demais, mas principalmente para eliminar os próprios defeitos e desenvolver as virtudes.

            A inteligência ilumina nossa consciência para conceber a verdade e buscar a liberdade contra a ignorância, os preconceitos, a prepotência, a vaidade, a ambição e a corrupção.

            É o conhecimento desta caverna, o seu estado de harmonia e o domínio sobre ela que nos proporcionam a busca da perfeição no sentido horizontal, isto é, em relação aos demais homens, à sociedade.

            A liberdade representa o ponto de partida da perfeição. O Livro da Lei em Gênese 1, 26 nos conta que Deus disse ao final de sua criação “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança” e no Novo Testamento diz Cristo: “Sedes perfeitos como vosso pai que está no céu”. Assim, a luta do homem-maçom pela perfeição exige dele a destruição do seu templo profano e a edificação do templo da virtude como diz o ritual de aprendiz: “erguer templos à virtude e cavar masmorras ao vício”. Quando o homem-maçom consegue vencer suas paixões então terá prevalecido sua vontade e sua liberdade.

            À proporção que ele se afasta do determinismo de sua realidade, constrói o íntimo de seu ser que através do ato livre procura a perfeição de suas possibilidades, concretizadas pela ação da sua liberdade e não pela simples necessidade.

            Assim, ao transcender o processo negativo, o homem-maçom toma consciência de sua vontade e de sua liberdade e é à força desta consciência que o leva à perfeição.

            A construção do templo ideal encerra a dicotomia do ser individual e social. No primeiro caso, o homem-maçom constitui-se um ser imperfeito, inacabado. No segundo caso, um ser em contínuo processo de construção e a partir desta contradição buscar vencer as trevas a ignorância, a superstição e o fanatismo.

2. Considerações finais

            O cumprimento do dever leva o homem-maçom à prática da virtude, essência da natureza moral que através da sabedoria, da fortaleza (firmeza de propósitos), da temperança (controle do excesso e das paixões), da justiça (conforme a lei e a eqüidade), da caridade (fraternidade), da mansidão (humildade), da esperança (confiança e perseverança de nossos atos), da fé (convicção nos nossos valores) e da prudência (comedimento de nossa conduta) assumir o papel de um novo homem através do comprimento inflexível de nossos deveres para com Deus, para com a humanidade, para com a pátria, para com o próximo e para consigo mesmo.

3. Referências
ASLAN, Nicola. Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia. Rio de Janeiro: Ed. Artenova, 1974.

_____________. Landmarques e Outros Problemas de Maçonaria. Rio de Janeiro: Ed. Aurora, 1979.

CASTELANI, José. Cadernos de Estudos Maçônicos. Londrina-Pr: Ed. Maçônica Trolha, 1987.

GOB. Rito Escocês Antigo e Aceito. Graus de 1 a 19. Rio de Janeiro: Ed. Gráfica do GOB.
REBOUL, Olivier. Filosofia da Educação. São Paulo: Comp. Ed. Nacional, 1978.

THONNARD, A. A. Storia della Filosofia. Paris: Desclée e Ci. S/d.




[1] Compósita – ordem de arquitetura ligada à instrução dos companheiros. È de origem romana, sendo uma mistura dos ornamentos das colunas Jônicas e Coríntias.